Painel de apoio à decisão

Selic e crédito às famílias no Brasil

Pergunta de decisãoUm gerente de crédito de uma cooperativa precisa decidir se aperta ou afrouxa a concessão a pessoas físicas nos próximos seis meses.

Gerado em 15/10/2026. Dados: Banco Central do Brasil, APIs SGS e Olinda. Contexto externo: pesquisa_contexto.md.

Os gráficos não carregaram. O painel usa Chart.js pela CDN e precisa de conexão com a internet na primeira abertura. Os números dos cards e dos textos não dependem disso.
Interpretação

Leitura do dia

Escrita por um modelo a cada execução do pipeline, a partir dos números das séries. É a terceira camada do painel: não é dado, não é pesquisa publicada — é leitura, e muda a cada dia.

A Selic recuou 1,25 p.p. em doze meses até outubro, para 13,75% ao ano, com o Focus apontando mediana de 13,25% para o fim do ano. No sentido oposto, os indicadores de crédito, com referência mais antiga, seguem pressionados: o comprometimento de renda das famílias subiu 1,40 p.p. em julho, alcançando 28,72% da renda mensal. A inadimplência de pessoa física, em agosto, avançou 1,11 p.p. no mesmo intervalo, chegando a 6,03% da carteira. O afrouxamento monetário ainda não encontra eco na saúde financeira das famílias.

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Seção 1

Descritiva: o que aconteceu

Comportamento observado da Selic, da inflação e de três indicadores de crédito às famílias, de jan/2017 a out/2026, em frequência mensal. Todos os números desta seção vêm dos arquivos JSON coletados das APIs do Banco Central. A pesquisa entra apenas como contexto, identificada em blocos próprios.

Antes de ler os números

  • Cada card mostra a data de referência do próprio dado. As séries têm calendários de divulgação diferentes e não terminam no mesmo mês.
  • A variação em 12 meses é a diferença em pontos percentuais entre o último mês e o mesmo mês do ano anterior. Usa 2 observações.
  • A Selic é série diária e foi convertida para mensal pelo último valor de cada mês. O último mês da Selic ainda está em curso e aparece marcado como tal.
  • Nenhum valor ausente foi preenchido. A verificação de continuidade não encontrou meses faltando em nenhuma das cinco séries.
  • Esta seção descreve, não explica. Movimentos que ocorrem juntos são associação, não causa.

Onde cada indicador está agora

Série 432

Selic meta

13,75% ao ano

Data de referência: 15/10/2026

Variação em 12 meses: -1,25 p.p.

Comparado com out/2025, que era 15,00. Cálculo com 2 observações.

Mês em curso. O valor é o mais recente disponível, não o fechamento de out/2026.

Série 13522

IPCA acumulado em 12 meses

4,58%

Data de referência: 01/09/2026

Variação em 12 meses: -0,59 p.p.

Comparado com set/2025, que era 5,17. Cálculo com 2 observações.

Série 29037

Endividamento das famílias com o SFN

49,86% da renda acumulada em 12 meses

Data de referência: 01/07/2026

Variação em 12 meses: +1,08 p.p.

Comparado com jul/2025, que era 48,78. Cálculo com 2 observações.

Série 29034

Comprometimento de renda das famílias com o SFN

28,72% da renda mensal

Data de referência: 01/07/2026

Variação em 12 meses: +1,40 p.p.

Comparado com jul/2025, que era 27,32. Cálculo com 2 observações.

Maior valor de toda a série desde jan/2017.

Série 21084

Inadimplência da carteira de crédito de pessoas físicas

6,03% da carteira

Data de referência: 01/08/2026

Variação em 12 meses: +1,11 p.p.

Comparado com ago/2025, que era 4,92. Cálculo com 2 observações.

Maior valor de toda a série desde jan/2017.

Uma série de cada vez

Selic meta

Preço do dinheiro definido pelo Copom. É a variável de política.

Unidade: % ao ano. Período: jan/2017 a out/2026. Observações mensais: 118. Critério: último valor de cada mês, série de origem diária. Fonte: Banco Central do Brasil, SGS, série 432. O último ponto (out/2026) é mês em curso e não representa o fechamento do mês.

Mínimo do período: 2,00 em ago/2020. Máximo do período: 15,00 em jun/2025.

IPCA acumulado em 12 meses

Inflação ao consumidor. Afeta a renda real e a capacidade de pagamento.

Unidade: %. Período: jan/2017 a set/2026. Observações mensais: 117. Critério: valor mensal divulgado pela fonte. Fonte: Banco Central do Brasil, SGS, série 13522.

Mínimo do período: 1,88 em mai/2020. Máximo do período: 12,13 em abr/2022.

Endividamento das famílias com o SFN

Estoque de dívida sobre renda. Mede o tamanho da dívida, não o seu custo.

Unidade: % da renda acumulada em 12 meses. Período: jan/2017 a jul/2026. Observações mensais: 115. Critério: valor mensal divulgado pela fonte. Fonte: Banco Central do Brasil, SGS, série 29037.

Mínimo do período: 37,22 em dez/2017. Máximo do período: 49,92 em jan/2026.

Comprometimento de renda das famílias com o SFN

Quanto da renda mensal vai para o serviço da dívida. Sente juros e prazo.

Unidade: % da renda mensal. Período: jan/2017 a jul/2026. Observações mensais: 115. Critério: valor mensal divulgado pela fonte. Fonte: Banco Central do Brasil, SGS, série 29034.

Mínimo do período: 19,77 em ago/2020. Máximo do período: 28,72 em jul/2026.

Inadimplência da carteira de crédito de pessoas físicas

Atraso acima de 90 dias. É resultado, não sinal antecedente.

Unidade: % da carteira. Período: jan/2017 a ago/2026. Observações mensais: 116. Critério: valor mensal divulgado pela fonte. Fonte: Banco Central do Brasil, SGS, série 21084.

Mínimo do período: 2,89 em dez/2020. Máximo do período: 6,03 em ago/2026.

Leitura da seção

A Selic já caiu, o custo da dívida das famílias ainda não

Dado observado

A Selic meta atingiu o máximo do período em jun/2025, com 15,00% ao ano, e está em 13,75% ao ano em 15/10/2026, uma queda de 1,25 p.p. em 16 meses. No mesmo intervalo, o comprometimento de renda das famílias subiu para 28,72% em 01/07/2026, que é o maior valor de toda a série desde jan/2017. A variação de 12 meses do comprometimento é de +1,40 p.p. Cálculo da variação com 2 observações. Série de comprometimento com 115 observações mensais.

Contexto da pesquisa

A8 O efeito da Selic sobre as concessões a pessoas físicas de longo prazo não é estatisticamente significativo em 3 meses e passa a ser em horizontes mais longos, na ordem de 6 a 9 meses.Fonte: Banco Central do Brasil, Relatório de Política Monetária, boxe sobre transmissão ao mercado de crédito. Data: março de 2026. Confiança: alta.

A6 Para uma elevação de 1 p.p. da Selic, o repasse estimado às taxas de crédito a pessoas físicas é de 4,43 p.p. no cheque especial, 1,73 p.p. no crédito pessoal e 0,75 p.p. em veículos. No crédito direcionado cai para 0,43 p.p. no imobiliário.Fonte: Banco Central do Brasil, Estudo Especial nº 118/2022, repasse da taxa Selic para o mercado de crédito bancário. Data: setembro de 2022. Confiança: alta.

C1 A pesquisa não encontrou estimativa publicada da defasagem direta entre a Selic e o comprometimento de renda das famílias (série 29034), nem entre a Selic e a inadimplência de pessoas físicas (série 21084). As âncoras disponíveis são indiretas.Fonte: pesquisa_contexto.md, seção C, o que a pesquisa não estabeleceu. Data: 18 de setembro de 2026. Confiança: registro de ausência de evidência.

Interpretação

A pesquisa descreve um canal que leva meses para aparecer e que é desigual entre modalidades. Isso torna plausível que uma queda da Selic ainda não tenha chegado ao bolso das famílias. Mas a pesquisa não oferece estimativa da defasagem direta entre Selic e comprometimento de renda, então o tamanho e o momento desse repasse ainda não estão medidos. A seção diagnóstica vai medir a associação nos dados. Aqui só se registra que os dois movimentos apontam em direções contrárias no mesmo intervalo, o que é uma observação, não uma relação de causa.

A inadimplência está no topo da série, e parte disso é mudança de régua

Dado observado

A inadimplência de pessoas físicas está em 6,03% da carteira em 01/08/2026, que é o maior valor de toda a série desde jan/2017. A variação em 12 meses é de +1,11 p.p., calculada com 2 observações. O mínimo do período foi 2,89% em dez/2020. Série com 116 observações mensais.

Contexto da pesquisa

A3 Cerca de 70% do aumento da inadimplência do Sistema Financeiro Nacional observado até junho de 2025 decorre da mudança das regras de contabilização, em vigor desde 1º de janeiro de 2025.Fonte: Banco Central do Brasil, Relatório de Política Monetária, boxe sobre as novas regras de contabilização. Data: setembro de 2025. Confiança: alta.

A4 Sem a mudança de regras, a inadimplência do Sistema Financeiro Nacional em junho de 2025 seria 0,53 p.p. menor, contra um aumento observado de 0,78 p.p. no ano.Fonte: Banco Central do Brasil, Relatório de Política Monetária, boxe sobre as novas regras de contabilização. Data: setembro de 2025. Confiança: alta.

A1 Uma operação só é classificada como inadimplente depois de três meses de atraso. É definição regulatória, não escolha estatística. Qualquer defasagem medida entre juros e inadimplência já embute esse piso.Fonte: Banco Central do Brasil, Relatório de Política Monetária, boxe sobre as novas regras de contabilização. Data: setembro de 2025. Confiança: alta.

Interpretação

Esta é a ressalva mais importante desta seção. A régua que define inadimplência mudou em 1º de janeiro de 2025, e o Banco Central estima que cerca de 70% da alta até junho de 2025 venha dessa mudança, e não de piora do crédito. Duas diferenças de escopo precisam ficar claras: a estimativa dos 70% é para o Sistema Financeiro Nacional agregado, enquanto a série 21084 é só de pessoas físicas, e o número se refere ao acumulado até junho de 2025, enquanto a série aqui vai até ago/2026. O painel não ajusta a série, porque o número teria de vir dos JSON e essa correção não existe nos dados coletados. Fica o aviso: ler a alta recente como piora integral do crédito é erro.

Endividamento perto do teto, com a inflação em queda

Dado observado

O endividamento das famílias está em 49,86% da renda acumulada em 12 meses em 01/07/2026, com variação de +1,08 p.p. em 12 meses. O máximo da série foi 49,92% em jan/2026, então o indicador está 0,06 p.p. abaixo do próprio topo. O IPCA acumulado em 12 meses está em 4,58% em 01/09/2026, com variação de -0,59 p.p. em 12 meses. Séries com 115 e 117 observações mensais. Cada variação de 12 meses usa 2 observações.

Contexto da pesquisa

B2 A razão de serviço da dívida das famílias, equivalente conceitual ao comprometimento de renda, funciona como sinal antecedente de crises bancárias sistêmicas. É literatura internacional sobre crises sistêmicas, não sobre carteira de cooperativa brasileira.Fonte: Bank for International Settlements, base e estudos sobre Debt Service Ratios. Data: consultado em 18 de setembro de 2026. Confiança: média, o trecho não foi conferido no documento original.

A9 Cheque especial, rotativo e cartão parcelado tendem a subir quando a Selic sobe, porque são usados em situações de estresse financeiro. O canal de juros é contrariado pela necessidade de liquidez das famílias.Fonte: Banco Central do Brasil, Relatório de Política Monetária, boxe sobre transmissão ao mercado de crédito. Data: março de 2026. Confiança: alta.

Interpretação

Endividamento e comprometimento não são a mesma coisa. O primeiro é estoque de dívida sobre renda, o segundo é o fluxo mensal de pagamento. A pesquisa traz respaldo internacional para tratar o comprometimento como sinal antecedente, mas é literatura sobre crises sistêmicas, não sobre carteira de cooperativa, e serve como analogia. A pesquisa também registra que o crédito emergencial pode se mover na direção contrária à esperada, o que é uma explicação alternativa legítima para parte do movimento das séries agregadas. Nenhuma dessas hipóteses foi testada com os dados até aqui.

As cinco séries não terminam no mesmo mês

Dado observado

As datas de referência são diferentes: Selic em 15/10/2026, IPCA em 01/09/2026, inadimplência em 01/08/2026, endividamento e comprometimento em 01/07/2026. O período em que as cinco séries existem ao mesmo tempo vai de jan/2017 a jul/2026, com 115 meses. Nenhum mês foi preenchido e nenhuma série tem lacuna interna: a verificação de continuidade mensal não encontrou meses ausentes em nenhuma das cinco séries.

Contexto da pesquisa

C3 A pesquisa não encontrou nada específico sobre cooperativas de crédito. Toda a evidência reunida é do Sistema Financeiro Nacional agregado.Fonte: pesquisa_contexto.md, seção C, o que a pesquisa não estabeleceu. Data: 18 de setembro de 2026. Confiança: registro de ausência de evidência.

Interpretação

Isso não é defeito dos dados, é o calendário de divulgação do Banco Central. A consequência prática aparece nas próximas etapas: qualquer cálculo que combine as cinco séries fica limitado a 115 meses, e não aos 118 meses da Selic. Some-se a isso que toda a evidência externa reunida é do sistema agregado, não de cooperativas, o que limita a transferência direta das conclusões para a carteira de quem vai decidir.

Seção 2

Diagnóstica: por que aconteceu

Correlação entre a Selic meta e os dois indicadores de crédito às famílias, com defasagens de 0 a 18 meses. Todos os coeficientes vêm dos JSON coletados. A pesquisa entra para discutir mecanismos, defasagens plausíveis e variáveis de confusão, nunca para alterar um número.

Como foi calculado

  • Medida: correlação de Pearson entre a Selic meta do mês t menos k e o indicador do mês t, para k de 0 a 18 meses.
  • Duas formas: em níveis, comparando valor com valor, e em variações mensais em pontos percentuais, comparando movimento com movimento. As duas aparecem lado a lado de propósito.
  • n cai conforme a defasagem cresce, porque pares sem os dois lados são descartados. O n de cada cálculo está na tabela e nos cards.
  • Limiar de 5%: calculado como t crítico de 1,98 sobre a raiz de t ao quadrado mais n menos 2. É aproximação, e supõe observações independentes.
  • Robustez: a inadimplência foi recalculada numa subamostra que termina em dez/2024, antes da mudança das regras de contabilização.
  • Correlação não é causa. Esta seção mede associação e lista o que ela não consegue separar.

Onde cada correlação chega ao máximo

Inadimplência PF, série 21084

Em níveis

0,810correlação no pico

Defasagem do pico: 6 meses. n = 110 pares.

valor do indicador contra valor da Selic.

Limiar de 5% para este n: 0,187. Resultado acima do limiar.

Defasagens a menos de 0,02 do pico: 4, 5, 6, 7 e 8. O dado não distingue uma defasagem única.

Inadimplência PF, série 21084

Em variações mensais

0,339correlação no pico

Defasagem do pico: 8 meses. n = 107 pares.

variação em p.p. do indicador contra variação em p.p. da Selic.

Limiar de 5% para este n: 0,190. Resultado acima do limiar.

Defasagens a menos de 0,02 do pico: 2 e 8. O dado não distingue uma defasagem única.

Comprometimento de renda, série 29034

Em níveis

0,872correlação no pico

Defasagem do pico: 0 meses. n = 115 pares.

valor do indicador contra valor da Selic.

Limiar de 5% para este n: 0,183. Resultado acima do limiar.

Defasagens a menos de 0,02 do pico: 0 e 1. O dado não distingue uma defasagem única.

Comprometimento de renda, série 29034

Em variações mensais

0,325correlação no pico

Defasagem do pico: 1 meses. n = 113 pares.

variação em p.p. do indicador contra variação em p.p. da Selic.

Limiar de 5% para este n: 0,185. Resultado acima do limiar.

Defasagens a menos de 0,02 do pico: 1. O pico é isolado.

Perfil da correlação por defasagem

Em níveis: valor da Selic contra valor do indicador

Barras mais altas indicam associação mais forte. A linha tracejada é o limiar de 5%.

Unidade: correlação de Pearson, de 0 a 1. Período: jan/2017 a jul/2026 na inadimplência e a jun/2026 no comprometimento. Observações: de 116 a 98 pares conforme a defasagem. Fonte: Banco Central do Brasil, SGS, séries 432, 21084 e 29034.

Em variações mensais: movimento contra movimento

Mesma conta, aplicada à variação de cada mês em pontos percentuais. É o teste que remove a tendência comum.

Unidade: correlação de Pearson. Período: o mesmo, menos um mês perdido no cálculo da variação. Observações: de 115 a 97 pares conforme a defasagem. Fonte: Banco Central do Brasil, SGS, séries 432, 21084 e 29034.

Robustez: a inadimplência antes e depois da mudança contábil

A mesma correlação em níveis, calculada na amostra completa e numa subamostra que termina em dez/2024.

Unidade: correlação de Pearson. Períodos: jan/2017 a jul/2026 e jan/2017 a dez/2024. Observações: até 116 e até 96 pares. Fonte: Banco Central do Brasil, SGS, séries 432 e 21084. O corte em dez/2024 vem da pesquisa, que data a mudança de regra em 1º de janeiro de 2025. O dado não foi alterado, apenas recortado.

Todos os coeficientes, com o n de cada conta

Defasagem
(meses)
Inadimplência PF (21084)Comprometimento de renda (29034)
r níveisnr variaçõesnr níveisnr variaçõesn
00,7131160,2101150,8721150,299114
10,7441150,1801140,8621140,325113
20,7691140,3281130,8461130,231112
30,7881130,2411120,8261120,204111
40,8011120,2621110,8041110,218110
50,8081110,3141100,7811100,085109
60,8101100,2081090,7551090,086108
70,8051090,2841080,7261080,108107
80,7951080,3391070,6921070,170106
90,7781070,2281060,6531060,126105
100,7561060,2901050,6131050,147104
110,7281050,2601040,5701040,022103
120,6991040,1601030,528103-0,026102
130,6621030,1681020,4851020,002101
140,6221020,2051010,442101-0,097100
150,577101-0,0011000,399100-0,10599
160,5331000,108990,35799-0,14498
170,48999-0,031980,31598-0,12697
180,44798-0,091970,27697-0,15896

Correlação de Pearson entre a Selic meta do mês t menos k e o indicador do mês t. Em azul, valores acima do limiar de 5% para o n da linha. Fonte dos dados: Banco Central do Brasil, SGS, séries 432, 21084 e 29034. Nenhum mês foi interpolado: um par só entra no cálculo quando os dois lados existem.

Leitura da seção

A correlação alta some quando se olha variação em vez de nível

Dado observado

Em níveis, a Selic tem correlação de 0,810 com a inadimplência PF na defasagem de 6 meses (n = 110) e de 0,872 com o comprometimento de renda na defasagem de 0 meses (n = 115).

Refazendo a mesma conta com a variação mensal em pontos percentuais das duas séries, o pico cai para 0,339 na inadimplência (defasagem de 8 meses, n = 107) e para 0,325 no comprometimento (defasagem de 1 meses, n = 113). O limiar de 5% para esses tamanhos de amostra fica perto de 0,190, então as correlações em variação continuam acima do limiar, mas explicam por volta de 11% e 11% da variação do indicador.

Contexto da pesquisa

A8 O efeito da Selic sobre as concessões a pessoas físicas de longo prazo não é estatisticamente significativo em 3 meses e passa a ser em horizontes mais longos, na ordem de 6 a 9 meses.Fonte: Banco Central do Brasil, Relatório de Política Monetária, boxe sobre transmissão ao mercado de crédito. Data: março de 2026. Confiança: alta.

A7 Cada aumento médio de 1 p.p. na Selic causa queda de 3,7% no nível médio das concessões de crédito livre de longo prazo a pessoas físicas ao longo de 12 meses, em relação ao contrafactual sem o choque.Fonte: Banco Central do Brasil, Relatório de Política Monetária, boxe sobre transmissão ao mercado de crédito. Data: março de 2026. Confiança: alta.

Interpretação

Este é o resultado mais importante da seção. As duas séries sobem ao longo de quase todo o período, e correlação entre séries que sobem juntas mede tendência comum antes de medir relação entre elas. Quando se remove o nível e se compara movimento com movimento, o que sobra é fraco.

A pesquisa é compatível com um efeito real, porém lento e parcial, e não com um efeito forte e imediato. Ela fala em queda de 3,7% nas concessões por 1 p.p. de Selic ao longo de 12 meses, e em significância apenas em horizontes mais longos. Um efeito desse tamanho, diluído em 12 meses, é exatamente o tipo de relação que aparece forte em níveis e fraca em variações mensais. A leitura honesta é: há associação, ela é pequena mês a mês, e o número alto em níveis não deve ser usado para dimensionar decisão.

A defasagem da inadimplência não é um número, é uma faixa de 3 a 8 meses

Dado observado

Em níveis, a correlação com a inadimplência PF sobe de 0,713 na defasagem zero até o pico de 0,810 em 6 meses, e depois cai. Só que as defasagens de 4, 5, 6, 7 e 8 meses ficam todas a menos de 0,02 do pico. O dado, sozinho, não escolhe entre elas. Em variação mensal, o quadro é pior para identificação: os valores próximos do pico estão nas defasagens de 2 e 8 meses, que nem são vizinhas.

Na subamostra que termina em dez/2024, antes da mudança das regras de contabilização, o pico vai para 7 meses e a correlação sobe para 0,858 (n = 89), contra 0,810 na amostra completa (n = 110).

Contexto da pesquisa

A1 Uma operação só é classificada como inadimplente depois de três meses de atraso. É definição regulatória, não escolha estatística. Qualquer defasagem medida entre juros e inadimplência já embute esse piso.Fonte: Banco Central do Brasil, Relatório de Política Monetária, boxe sobre as novas regras de contabilização. Data: setembro de 2025. Confiança: alta.

A8 O efeito da Selic sobre as concessões a pessoas físicas de longo prazo não é estatisticamente significativo em 3 meses e passa a ser em horizontes mais longos, na ordem de 6 a 9 meses.Fonte: Banco Central do Brasil, Relatório de Política Monetária, boxe sobre transmissão ao mercado de crédito. Data: março de 2026. Confiança: alta.

A5 Acompanhando trabalhadores formais demitidos, os valores em atraso acima de 90 dias atingem pico entre 10 e 11 meses após a demissão. Mede choque de emprego, não de juros.Fonte: Banco Central do Brasil, Relatório de Economia Bancária 2023, Boxe 1. Data: 2024, com dados de 2023. Confiança: alta.

A3 Cerca de 70% do aumento da inadimplência do Sistema Financeiro Nacional observado até junho de 2025 decorre da mudança das regras de contabilização, em vigor desde 1º de janeiro de 2025.Fonte: Banco Central do Brasil, Relatório de Política Monetária, boxe sobre as novas regras de contabilização. Data: setembro de 2025. Confiança: alta.

Interpretação

A faixa medida contém o que a pesquisa sugere, mas por caminhos diferentes. Existe um piso de 3 meses que é definição regulatória, não comportamento: uma operação só é inadimplente depois de 90 dias de atraso, então nenhuma defasagem abaixo disso poderia mesmo aparecer. A referência de 6 a 9 meses da pesquisa é sobre concessões, não sobre inadimplência, e a de 10 a 11 meses é sobre choque de emprego, não de juros. Convergem em ordem de grandeza, não são a mesma medida.

O resultado da subamostra merece atenção. Excluindo o período afetado pela mudança contábil, a associação com a Selic fica mais forte, não mais fraca. Isso é o que se esperaria se parte da alta recente da inadimplência tiver origem regulatória e não em juros, como a pesquisa indica. É consistência, não prova: a subamostra também é menor e termina em outro ponto do ciclo.

O comprometimento de renda reage quase junto com a Selic

Dado observado

O comprometimento de renda tem o pico de correlação na defasagem zero, com 0,872 (n = 115), e a correlação cai de forma contínua conforme a defasagem aumenta, chegando a 0,276 em 18 meses (n = 97). As defasagens a menos de 0,02 do pico são 0 e 1 meses. É o oposto do perfil da inadimplência, que sobe até o meio da faixa e depois desce.

Contexto da pesquisa

C1 A pesquisa não encontrou estimativa publicada da defasagem direta entre a Selic e o comprometimento de renda das famílias (série 29034), nem entre a Selic e a inadimplência de pessoas físicas (série 21084). As âncoras disponíveis são indiretas.Fonte: pesquisa_contexto.md, seção C, o que a pesquisa não estabeleceu. Data: 18 de setembro de 2026. Confiança: registro de ausência de evidência.

A6 Para uma elevação de 1 p.p. da Selic, o repasse estimado às taxas de crédito a pessoas físicas é de 4,43 p.p. no cheque especial, 1,73 p.p. no crédito pessoal e 0,75 p.p. em veículos. No crédito direcionado cai para 0,43 p.p. no imobiliário.Fonte: Banco Central do Brasil, Estudo Especial nº 118/2022, repasse da taxa Selic para o mercado de crédito bancário. Data: setembro de 2022. Confiança: alta.

B2 A razão de serviço da dívida das famílias, equivalente conceitual ao comprometimento de renda, funciona como sinal antecedente de crises bancárias sistêmicas. É literatura internacional sobre crises sistêmicas, não sobre carteira de cooperativa brasileira.Fonte: Bank for International Settlements, base e estudos sobre Debt Service Ratios. Data: consultado em 18 de setembro de 2026. Confiança: média, o trecho não foi conferido no documento original.

Interpretação

Um perfil que decai desde a defasagem zero é o que se esperaria de uma variável que sente o preço do crédito rápido, e não de uma que depende de comportamento acumulado. A pesquisa dá um mecanismo plausível: o repasse da Selic às taxas ao tomador é rápido e desigual, chegando a 4,43 p.p. no cheque especial contra 0,43 p.p. no imobiliário.

Mas aqui é preciso ser explícito sobre o vazio: a pesquisa não encontrou nenhuma estimativa publicada da defasagem direta entre Selic e comprometimento de renda. Este perfil quase contemporâneo é um achado dos dados deste painel, sem âncora externa que o confirme ou desminta. Deve ser tratado como hipótese a monitorar, não como fato estabelecido.

Quatro explicações alternativas que este cálculo não consegue descartar

Dado observado

A correlação mede associação entre duas séries e ignora tudo o mais. Um exemplo concreto está nos próprios dados coletados: a Selic e o IPCA acumulado em 12 meses têm correlação de 0,185 na defasagem zero (n = 117) e de -0,559 na defasagem de 12 meses (n = 105). Ou seja, a Selic de hoje carrega informação sobre a inflação de doze meses atrás, porque a política responde à inflação. Qualquer correlação entre Selic e crédito contém esse pedaço.

Contexto da pesquisa

A3 Cerca de 70% do aumento da inadimplência do Sistema Financeiro Nacional observado até junho de 2025 decorre da mudança das regras de contabilização, em vigor desde 1º de janeiro de 2025.Fonte: Banco Central do Brasil, Relatório de Política Monetária, boxe sobre as novas regras de contabilização. Data: setembro de 2025. Confiança: alta.

B1 Cerca de 18 meses após o início das renegociações, os níveis de inadimplência dos beneficiários do programa Desenrola Brasil voltaram a subir.Fonte: Banco Central do Brasil, publicação sobre o programa Desenrola Brasil. Data: consultado em 18 de setembro de 2026. Confiança: média, o trecho não foi conferido no documento original.

A9 Cheque especial, rotativo e cartão parcelado tendem a subir quando a Selic sobe, porque são usados em situações de estresse financeiro. O canal de juros é contrariado pela necessidade de liquidez das famílias.Fonte: Banco Central do Brasil, Relatório de Política Monetária, boxe sobre transmissão ao mercado de crédito. Data: março de 2026. Confiança: alta.

A5 Acompanhando trabalhadores formais demitidos, os valores em atraso acima de 90 dias atingem pico entre 10 e 11 meses após a demissão. Mede choque de emprego, não de juros.Fonte: Banco Central do Brasil, Relatório de Economia Bancária 2023, Boxe 1. Data: 2024, com dados de 2023. Confiança: alta.

Interpretação

As quatro candidatas, em ordem de impacto sobre a leitura:

1. Mudança contábil. A régua da inadimplência mudou em jan/2025 e cerca de 70% da alta até jun/2025 viria daí. Afeta diretamente o fim da série 21084.

2. Renegociação. O efeito do Desenrola sobre a inadimplência dos beneficiários teria se revertido após cerca de 18 meses, o que produz movimento na série sem qualquer relação com a Selic. Confiança média: o trecho não foi conferido no documento original.

3. Crédito emergencial na direção contrária. Cheque especial e rotativo tendem a subir quando a Selic sobe, por necessidade de liquidez. Isso infla a correlação positiva por um canal que não é o de custo do crédito.

4. Emprego e renda. A pesquisa mostra pico de atraso acima de 90 dias entre 10 e 11 meses após demissão. O painel não coletou nenhuma série de emprego ou renda, então não há como separar o efeito de juros do efeito de mercado de trabalho. Essa é uma limitação dos dados escolhidos na etapa 1, não da estatística usada aqui.

O que este cálculo permite e não permite concluir

Permite dizer

  • Que Selic e os dois indicadores de crédito se movem juntos no período de jan/2017 em diante, com correlação alta em níveis.
  • Que os dois indicadores têm perfis de defasagem diferentes: o comprometimento tem pico em zero e decai, a inadimplência tem pico no meio da faixa de 3 a 8 meses.
  • Que a associação medida em variação mensal é fraca, ainda que acima do limiar de 5%.
  • Que excluir o período da mudança contábil fortalece a associação entre Selic e inadimplência, em vez de enfraquecê-la.

Não permite dizer

  • Que a Selic causou a variação da inadimplência ou do comprometimento. Correlação com defasagem não é identificação causal.
  • Qual é a defasagem verdadeira. A faixa de 3 a 8 meses é estatisticamente indistinguível dentro dos dados.
  • Qual a contribuição isolada dos juros, já que inflação, emprego, renegociação e mudança de regra atuam ao mesmo tempo e nenhum deles foi controlado.
  • Que o resultado vale para a carteira de uma cooperativa. Todas as séries são do sistema agregado, e a pesquisa não encontrou nada específico sobre cooperativas.
  • Que o limiar de 5% é exato. Ele supõe observações independentes, e séries mensais de macroeconomia são altamente persistentes, o que infla a significância aparente. O n informado é o número de pares, não de informação independente.
Seção 3

Preditiva: para onde aponta

Tendência simples calculada sobre os JSON, sem machine learning. A seção separa de propósito três coisas que costumam ser confundidas: o que o modelo projeta, o que o mercado espera e o que nenhum dos dois sabe.

Como foi calculado

  • Média móvel de 6 meses: média simples dos 6 meses até cada ponto. Os 5 primeiros meses ficam sem valor e não foram preenchidos.
  • Inclinação recente: reta por mínimos quadrados sobre os últimos 6 meses, em pontos percentuais por mês. A inclinação de 12 meses aparece junto para mostrar quando a tendência virou.
  • Projeção: último valor observado mais a inclinação recente multiplicada pelo número de meses à frente. É extrapolação de reta, nada além.
  • Faixa de incerteza: não é suposição. O método foi testado em todos os meses passados com histórico suficiente, e a faixa vai do percentil 10 ao 90 dos erros que ele de fato cometeu naquele horizonte. Cobre 80% dos casos históricos.
  • Sem machine learning e sem variável explicativa. A projeção de cada série usa apenas o passado dela mesma.
A

Projeção do modelo

Aritmética sobre as séries do Banco Central. Não sabe que existe Copom, não conhece cenário fiscal e não usa nenhuma informação externa.

Selic meta (série 432)

Observado, média móvel de 6 meses e projeção de 6 meses com faixa de incerteza.

Último observado13,7515/10/2026
Média móvel de 6 meses14,08até out/2026
Inclinação recente-0,157 p.p. por mêsúltimos 6 meses, ou seja -0,94 p.p. em meio ano
Projeção para abr/202712,81faixa de 10,72 a 15,36

Unidade: % ao ano. Período mostrado: nov/2023 a out/2026, mais 6 meses projetados. Observações usadas: 118 meses na série, 6 meses na inclinação, 107 origens no teste da faixa. Fonte: Banco Central do Brasil, SGS, série 432. A projeção não é dado do Banco Central, é cálculo deste painel.

Inadimplência PF (série 21084)

Observado, média móvel de 6 meses e projeção de 6 meses com faixa de incerteza.

Último observado6,0301/08/2026
Média móvel de 6 meses5,63até ago/2026
Inclinação recente+0,110 p.p. por mêsúltimos 6 meses, ou seja +0,66 p.p. em meio ano
Projeção para fev/20276,69faixa de 6,26 a 7,21

Unidade: % da carteira. Período mostrado: set/2023 a ago/2026, mais 6 meses projetados. Observações usadas: 116 meses na série, 6 meses na inclinação, 105 origens no teste da faixa. Fonte: Banco Central do Brasil, SGS, série 21084. A projeção não é dado do Banco Central, é cálculo deste painel.

Comprometimento de renda (série 29034)

Observado, média móvel de 6 meses e projeção de 6 meses com faixa de incerteza.

Último observado28,7201/07/2026
Média móvel de 6 meses28,46até jul/2026
Inclinação recente+0,103 p.p. por mêsúltimos 6 meses, ou seja +0,62 p.p. em meio ano
Projeção para jan/202729,34faixa de 27,21 a 31,36

Unidade: % da renda mensal. Período mostrado: ago/2023 a jul/2026, mais 6 meses projetados. Observações usadas: 115 meses na série, 6 meses na inclinação, 104 origens no teste da faixa. Fonte: Banco Central do Brasil, SGS, série 29034. A projeção não é dado do Banco Central, é cálculo deste painel.

Endividamento (série 29037)

Observado, média móvel de 6 meses e projeção de 6 meses com faixa de incerteza.

Último observado49,8601/07/2026
Média móvel de 6 meses49,81até jul/2026
Inclinação recente-0,012 p.p. por mêsúltimos 6 meses, ou seja -0,07 p.p. em meio ano
Projeção para jan/202749,79faixa de 47,63 a 50,91

Unidade: % da renda em 12 meses. Período mostrado: ago/2023 a jul/2026, mais 6 meses projetados. Observações usadas: 115 meses na série, 6 meses na inclinação, 104 origens no teste da faixa. Fonte: Banco Central do Brasil, SGS, série 29037. A projeção não é dado do Banco Central, é cálculo deste painel.

Atenção: a inclinação dos últimos 6 meses (-0,012 p.p. por mês) tem sinal contrário à dos últimos 12 meses (+0,067 p.p. por mês). A tendência recente virou, e projetar a reta recente para a frente é especialmente frágil aqui.

B

Consenso externo

Mediana das projeções de mercado coletadas pelo Banco Central na pesquisa Focus. É informação de fora do painel, e existe apenas para a Selic. Para inadimplência, comprometimento e endividamento não há consenso externo nos dados coletados, então essas projeções não têm contraponto.

Focus, mediana de mercado

Selic no fim de 2026

13,25% ao ano

Divulgação de 2026-10-09. 139 respondentes.

Dentro do horizonte de 6 meses do modelo, dá para comparar.

Focus, mediana de mercado

Selic no fim de 2027

12,00% ao ano

Divulgação de 2026-10-09. 138 respondentes.

Fora do horizonte de 6 meses do modelo. Serve de direção, não de comparação direta.

Modelo e consenso lado a lado, para dez/2026

Projeção do modelo13,44faixa de 12,78 a 14,11
Consenso Focus13,25mediana de 139 respondentes, divulgada em 2026-10-09
Diferença+0,19 p.p.modelo menos Focus

A mediana do Focus está dentro da faixa de incerteza do modelo, então os dois não se contradizem em termos estatísticos. Mas apontam coisas diferentes: o modelo apenas estende a queda recente, enquanto o Focus reúne 139 projeções de instituições que acompanham o Copom e incorporam informação que este painel não tem. Para a Selic, o consenso externo é a referência mais confiável das duas.

Fonte: Banco Central do Brasil, API Olinda, Expectativas de Mercado Anuais, indicador Selic. Mediana mais recente por ano de referência, base de cálculo dos últimos 30 dias.

C

Incertezas

O quanto este método costuma errar, medido nele mesmo, e o que pode quebrar a tendência segundo a pesquisa.

Horizonte
(meses)
Selic meta (432)Inadimplência PF (21084)Comprometimento de renda (29034)Endividamento (29037)
Erro do modeloErro sem mudançaGanhoErro do modeloErro sem mudançaGanhoErro do modeloErro sem mudançaGanhoErro do modeloErro sem mudançaGanho
10,2640,259-2%0,0860,092+7%0,3100,280-11%0,2190,241+9%
20,3920,514+24%0,1340,141+5%0,5910,490-21%0,3960,428+7%
30,6270,770+19%0,1700,187+9%0,8370,688-22%0,5810,616+6%
40,9091,021+11%0,2250,240+6%1,0770,829-30%0,7810,809+3%
51,2011,264+5%0,2790,283+2%1,2750,953-34%0,9870,992+1%
61,5491,509-3%0,3300,324-2%1,4061,071-31%1,1971,171-2%

Erro absoluto médio em pontos percentuais, medido testando o próprio método em todos os meses passados com histórico suficiente. "Erro sem mudança" é o erro de simplesmente supor que o indicador fica parado no último valor. "Ganho" positivo significa que o modelo errou menos que essa referência, e negativo significa que errou mais. Número de origens testadas: de 109 a 107 conforme a série e o horizonte. Fonte dos dados: Banco Central do Brasil, SGS.

O modelo perde para supor que nada muda

Dado observado

Testando o método em todos os meses passados, no horizonte de 6 meses ele erra em média 1,549 p.p. na Selic, contra 1,509 p.p. de quem simplesmente supõe que a taxa fica parada. No comprometimento de renda a diferença é maior: 1,406 p.p. contra 1,071 p.p., ou seja, o modelo erra 31% mais que a referência ingênua.

Em 6 meses, das 4 séries projetadas, 4 têm desempenho pior que supor estabilidade: Comprometimento de renda, Selic meta, Endividamento e Inadimplência PF. O teste usa de 104 a 107 origens, conforme a série.

Contexto da pesquisa

A8 O efeito da Selic sobre as concessões a pessoas físicas de longo prazo não é estatisticamente significativo em 3 meses e passa a ser em horizontes mais longos, na ordem de 6 a 9 meses.Fonte: Banco Central do Brasil, Relatório de Política Monetária, boxe sobre transmissão ao mercado de crédito. Data: março de 2026. Confiança: alta.

A9 Cheque especial, rotativo e cartão parcelado tendem a subir quando a Selic sobe, porque são usados em situações de estresse financeiro. O canal de juros é contrariado pela necessidade de liquidez das famílias.Fonte: Banco Central do Brasil, Relatório de Política Monetária, boxe sobre transmissão ao mercado de crédito. Data: março de 2026. Confiança: alta.

Interpretação

Este resultado é desconfortável e por isso está no topo da seção. Uma reta ajustada aos últimos 6 meses supõe que o movimento recente continua, e as séries de crédito não se comportam assim: elas viram. A pesquisa reforça o motivo. A transmissão da Selic ao crédito é lenta e só aparece em horizontes mais longos, e há modalidades que andam na direção contrária, então a inclinação de um semestre mistura canais com sinais opostos e não é uma boa base para extrapolar.

A consequência prática para a decisão: use a faixa, não o número central, e trate a projeção como cenário de referência, não como previsão. A etapa 6 vai trabalhar com cenários por esse motivo.

Para a Selic, o Focus vale mais que o modelo

Dado observado

A Selic caiu 0,157 p.p. por mês nos últimos 6 meses. Estendendo essa reta, o modelo projeta 12,81% ao ano em abr/2027, com faixa de 10,72 a 15,36. A faixa tem 4,64 p.p. de largura, o que para uma decisão de crédito é quase tão útil quanto não ter projeção.

O Focus, por sua vez, traz mediana de 13,25% para o fim de 2026 e 12,00% para o fim de 2027, com divulgação de 2026-10-09 e 139 respondentes.

Contexto da pesquisa

A6 Para uma elevação de 1 p.p. da Selic, o repasse estimado às taxas de crédito a pessoas físicas é de 4,43 p.p. no cheque especial, 1,73 p.p. no crédito pessoal e 0,75 p.p. em veículos. No crédito direcionado cai para 0,43 p.p. no imobiliário.Fonte: Banco Central do Brasil, Estudo Especial nº 118/2022, repasse da taxa Selic para o mercado de crédito bancário. Data: setembro de 2022. Confiança: alta.

A7 Cada aumento médio de 1 p.p. na Selic causa queda de 3,7% no nível médio das concessões de crédito livre de longo prazo a pessoas físicas ao longo de 12 meses, em relação ao contrafactual sem o choque.Fonte: Banco Central do Brasil, Relatório de Política Monetária, boxe sobre transmissão ao mercado de crédito. Data: março de 2026. Confiança: alta.

Interpretação

São duas coisas diferentes e o painel não as mistura. O modelo é aritmética sobre a série histórica e não sabe que existe Copom. O Focus é a mediana de instituições que acompanham a política monetária e incorporam comunicado, ata e cenário fiscal. Para projetar uma taxa que é decidida por um comitê, e não por inércia, o consenso externo é a referência mais confiável.

A pesquisa acrescenta o que fazer com essa informação: o repasse ao tomador é desigual por modalidade, chegando a 4,43 p.p. no cheque especial contra 0,43 p.p. no imobiliário, e o efeito sobre concessões é de cerca de 3,7% por 1 p.p. ao longo de 12 meses. Ou seja, mesmo acertando a Selic, o efeito na carteira depende do mix de linhas.

Os indicadores de crédito ainda apontam para cima, com uma exceção

Dado observado

Inclinação dos últimos 6 meses, em pontos percentuais por mês: inadimplência PF +0,110, comprometimento +0,103, endividamento -0,012. Projetando 6 meses: inadimplência vai a 6,69% em fev/2027 (faixa de 6,26 a 7,21), comprometimento a 29,34% em jan/2027 (faixa de 27,21 a 31,36) e endividamento a 49,79% em jan/2027 (faixa de 47,63 a 50,91).

A inadimplência desacelerou: a inclinação de 6 meses (+0,110) é menor que a de 12 meses (+0,086). O endividamento é o caso a observar: a inclinação de 6 meses (-0,012) tem sinal contrário à de 12 meses (+0,067), ou seja, a série parou de subir e começou a ceder. Uma virada recente é justamente o que este tipo de projeção captura pior.

Contexto da pesquisa

A1 Uma operação só é classificada como inadimplente depois de três meses de atraso. É definição regulatória, não escolha estatística. Qualquer defasagem medida entre juros e inadimplência já embute esse piso.Fonte: Banco Central do Brasil, Relatório de Política Monetária, boxe sobre as novas regras de contabilização. Data: setembro de 2025. Confiança: alta.

A3 Cerca de 70% do aumento da inadimplência do Sistema Financeiro Nacional observado até junho de 2025 decorre da mudança das regras de contabilização, em vigor desde 1º de janeiro de 2025.Fonte: Banco Central do Brasil, Relatório de Política Monetária, boxe sobre as novas regras de contabilização. Data: setembro de 2025. Confiança: alta.

A5 Acompanhando trabalhadores formais demitidos, os valores em atraso acima de 90 dias atingem pico entre 10 e 11 meses após a demissão. Mede choque de emprego, não de juros.Fonte: Banco Central do Brasil, Relatório de Economia Bancária 2023, Boxe 1. Data: 2024, com dados de 2023. Confiança: alta.

Interpretação

Três qualificações da pesquisa mudam a leitura destes números.

A projeção da inadimplência herda a régua nova. A série já incorpora a mudança contábil de jan/2025, que responderia por cerca de 70% da alta até jun/2025. Projetar a partir de um nível inflado por mudança de definição estende esse efeito para a frente, e o painel não tem como separar isso porque a correção não existe nos JSON.

O piso de 90 dias atrasa qualquer melhora. Mesmo que a concessão melhore hoje, a inadimplência só reflete isso depois de três meses de atraso acumulado. O que vai aparecer nos próximos 6 meses já está em grande parte contratado.

O risco que o modelo não vê é emprego. A pesquisa mostra pico de atraso acima de 90 dias entre 10 e 11 meses após demissão. Um choque de emprego hoje só apareceria depois do horizonte desta projeção, e nenhuma série de emprego foi coletada neste painel.

Seção 4

Prescritiva: o que fazer

Três cenários de Selic e as ações que cada um sugere para a concessão a pessoas físicas nos próximos seis meses. Cada ação traz o dado que a sustenta, a evidência externa com fonte, o que se perde ao adotá-la e a condição que a derrubaria.

Resposta à pergunta de decisão

Nem apertar nem afrouxar o volume total. Manter a concessão agregada e mudar o mix, com o comprometimento de renda como gatilho mensal.

Os dados não sustentam uma virada em nenhuma das duas direções, e o painel prefere dizer isso a produzir uma recomendação mais firme do que a evidência permite. De um lado, a Selic caiu 1,25 p.p. em 12 meses, o que puxaria para afrouxar. Do outro, comprometimento de renda e inadimplência estão no maior valor da série desde jan/2017, o que puxaria para apertar.

Três resultados das seções anteriores explicam por que a resposta não é mais forte que isso:

  • A associação entre Selic e crédito, medida em variação mensal, é fraca: o pico é 0,339 na inadimplência e 0,325 no comprometimento. A correlação alta em níveis é tendência comum.
  • A projeção de 6 meses perde para supor que nada muda nas quatro séries testadas. A faixa da Selic em abr/2027 tem 4,64 p.p. de largura.
  • Parte da alta da inadimplência é mudança de régua contábil, não piora de crédito, e o painel não consegue separar quanto.

Decisão de volume exige previsão confiável, e este painel mostrou que não tem uma. Decisão de mix exige saber onde o repasse de juros dói mais, e isso a pesquisa fornece com número. Por isso a recomendação está em mix, e não em volume.

Os três cenários

Cenário A: queda mais rápida

10,72% ao ano em abr/2027

-3,03 p.p. em relação a hoje

Limite inferior da faixa de 80% do modelo em abr/2027, calculada sobre os erros históricos do próprio método em 107 origens.

Cenário B: consenso de mercado

12,83% ao ano em abr/2027

-0,92 p.p. em relação a hoje

Medianas do Focus de 2026-10-09 para o fim de 2026 e 2027, ligadas por interpolação linear. O caminho mensal é construção deste painel, o Focus publica apenas os pontos anuais.

Cenário C: parada ou reversão

15,36% ao ano em abr/2027

+1,61 p.p. em relação a hoje

Limite superior da faixa de 80% do modelo em abr/2027, pela mesma medida de erro histórico.

Trajetórias de Selic consideradas

Observado nos últimos 24 meses e os três cenários até abr/2027.

Unidade: % ao ano. Observado: nov/2024 a out/2026, fonte Banco Central do Brasil, SGS, série 432. Cenários A e C: limites da faixa de 80% calculada sobre 107 origens históricas do método. Cenário B: medianas do Focus, API Olinda, ligadas por interpolação linear feita neste painel. O painel não atribui probabilidade a nenhum dos três.

Ações que valem nos três cenários

Trocar o indicador que dispara o aperto

Usar o comprometimento de renda como gatilho mensal, e a inadimplência apenas como confirmação posterior.

1. Dado quantitativo

Na seção diagnóstica, a correlação da Selic com o comprometimento de renda tem pico na defasagem zero (r = 0,872, n = 115) e cai de forma contínua daí em diante. Com a inadimplência, o pico está em 6 meses (r = 0,810, n = 110), e as defasagens de 4, 5, 6, 7 e 8 meses são estatisticamente indistinguíveis entre si.

Hoje o comprometimento está em 28,72% (01/07/2026), o maior valor da série desde jan/2017, com alta de +1,40 p.p. em 12 meses.

2. Evidência externa

A1 Uma operação só é classificada como inadimplente depois de três meses de atraso. É definição regulatória, não escolha estatística. Qualquer defasagem medida entre juros e inadimplência já embute esse piso.Fonte: Banco Central do Brasil, Relatório de Política Monetária, boxe sobre as novas regras de contabilização. Data: setembro de 2025. Confiança: alta.

B2 A razão de serviço da dívida das famílias, equivalente conceitual ao comprometimento de renda, funciona como sinal antecedente de crises bancárias sistêmicas. É literatura internacional sobre crises sistêmicas, não sobre carteira de cooperativa brasileira.Fonte: Bank for International Settlements, base e estudos sobre Debt Service Ratios. Data: consultado em 18 de setembro de 2026. Confiança: média, o trecho não foi conferido no documento original.

3. Trade-off

O comprometimento é divulgado com atraso maior que a inadimplência: hoje ele vai até jul/2026 e a inadimplência até ago/2026. Trocar o gatilho significa decidir com dado mais antigo, em troca de decidir com dado que reage antes. Além disso, o respaldo para tratar o comprometimento como antecedente vem de literatura internacional sobre crises bancárias sistêmicas, não sobre carteira de cooperativa.

4. Condição que invalidaria

Se o comprometimento de renda parar de acompanhar a Selic, a base da recomendação cai. O sinal de alerta é a correlação contemporânea deixar de aparecer em uma atualização futura deste painel. Vale lembrar que a correlação em variação mensal já é fraca (pico de 0,325), então essa troca de gatilho se apoia no comportamento de nível, não no de curto prazo.

Descontar a mudança contábil antes de apertar por inadimplência

Não tratar a alta recente da série 21084 como piora integral do crédito, e recalibrar o limite interno que dispara restrição.

1. Dado quantitativo

A inadimplência de pessoas físicas está em 6,03% (01/08/2026), o maior valor da série, com alta de +1,11 p.p. em 12 meses. Mas a inclinação desacelerou: +0,110 p.p. por mês nos últimos 6 meses contra +0,086 p.p. por mês nos últimos 12.

Na seção diagnóstica, excluir o período da mudança de regra aumenta a correlação com a Selic, de 0,810 para 0,858. Ou seja, o pedaço recente da série é o que menos se explica por juros.

2. Evidência externa

A3 Cerca de 70% do aumento da inadimplência do Sistema Financeiro Nacional observado até junho de 2025 decorre da mudança das regras de contabilização, em vigor desde 1º de janeiro de 2025.Fonte: Banco Central do Brasil, Relatório de Política Monetária, boxe sobre as novas regras de contabilização. Data: setembro de 2025. Confiança: alta.

A4 Sem a mudança de regras, a inadimplência do Sistema Financeiro Nacional em junho de 2025 seria 0,53 p.p. menor, contra um aumento observado de 0,78 p.p. no ano.Fonte: Banco Central do Brasil, Relatório de Política Monetária, boxe sobre as novas regras de contabilização. Data: setembro de 2025. Confiança: alta.

3. Trade-off

Descontar a régua nova reduz o aperto agora, e com ele a proteção caso a deterioração seja real. A estimativa dos 70% é do sistema agregado, não só de pessoas físicas, e vale para o acumulado até junho de 2025, não até ago/2026. O painel não tem como aplicar esse desconto à série, porque a correção não existe nos dados coletados: qualquer ajuste seria número inventado a partir da pesquisa, o que este painel não faz.

4. Condição que invalidaria

Se a carteira da própria cooperativa mostrar piora de safra recente, com atraso subindo em operações originadas depois de jan/2025, o argumento contábil deixa de explicar e a alta passa a ser crédito ruim de verdade. Dado interno vence dado agregado nesse caso.

Ação específica de cada cenário

Cenário A: queda mais rápida

Selic em 10,72% ao ano em abr/2027, -3,03 p.p. ante hoje. Limite inferior da faixa de 80% do modelo em abr/2027, calculada sobre os erros históricos do próprio método em 107 origens.

Afrouxar por mix, não por volume

Ampliar originação nas linhas com garantia antes de ampliar o limite geral de concessão.

1. Dado quantitativo

Neste cenário a Selic cai 3,03 p.p. até abr/2027, indo a 10,72% ao ano. Mesmo assim, o comprometimento de renda projetado para jan/2027 é de 29,34%, com faixa de 27,21 a 31,36, ou seja, o cenário central ainda fica acima do nível atual de 28,72%.

2. Evidência externa

A6 Para uma elevação de 1 p.p. da Selic, o repasse estimado às taxas de crédito a pessoas físicas é de 4,43 p.p. no cheque especial, 1,73 p.p. no crédito pessoal e 0,75 p.p. em veículos. No crédito direcionado cai para 0,43 p.p. no imobiliário.Fonte: Banco Central do Brasil, Estudo Especial nº 118/2022, repasse da taxa Selic para o mercado de crédito bancário. Data: setembro de 2022. Confiança: alta.

A8 O efeito da Selic sobre as concessões a pessoas físicas de longo prazo não é estatisticamente significativo em 3 meses e passa a ser em horizontes mais longos, na ordem de 6 a 9 meses.Fonte: Banco Central do Brasil, Relatório de Política Monetária, boxe sobre transmissão ao mercado de crédito. Data: março de 2026. Confiança: alta.

3. Trade-off

Linhas com garantia têm spread menor, então a margem por real emprestado cai justamente quando a queda de juros já comprime receita. É trocar rentabilidade por qualidade de safra, e a troca aparece no resultado antes de aparecer na inadimplência.

4. Condição que invalidaria

Se a queda da Selic vier acompanhada de piora do emprego, o alívio de juros não se converte em capacidade de pagamento e afrouxar vira erro. O painel não consegue ver isso: nenhuma série de emprego ou renda foi coletada na etapa 1.

Cenário B: consenso de mercado

Selic em 12,83% ao ano em abr/2027, -0,92 p.p. ante hoje. Medianas do Focus de 2026-10-09 para o fim de 2026 e 2027, ligadas por interpolação linear. O caminho mensal é construção deste painel, o Focus publica apenas os pontos anuais.

Manter o volume e recompor o mix

Não mexer no limite agregado de concessão nos próximos seis meses, e usar o período para reduzir a fatia de crédito emergencial na carteira.

1. Dado quantitativo

Neste cenário a Selic vai a 12,83% ao ano em abr/2027, -0,92 p.p. em relação a hoje, seguindo a mediana de 139 respondentes do Focus. É o cenário mais próximo de estabilidade: a variação projetada é menor que o erro típico do próprio modelo em seis meses, que é de 1,55 p.p.

O endividamento já virou: inclinação de -0,012 p.p. por mês nos últimos 6 meses contra +0,067 nos últimos 12.

2. Evidência externa

A7 Cada aumento médio de 1 p.p. na Selic causa queda de 3,7% no nível médio das concessões de crédito livre de longo prazo a pessoas físicas ao longo de 12 meses, em relação ao contrafactual sem o choque.Fonte: Banco Central do Brasil, Relatório de Política Monetária, boxe sobre transmissão ao mercado de crédito. Data: março de 2026. Confiança: alta.

A9 Cheque especial, rotativo e cartão parcelado tendem a subir quando a Selic sobe, porque são usados em situações de estresse financeiro. O canal de juros é contrariado pela necessidade de liquidez das famílias.Fonte: Banco Central do Brasil, Relatório de Política Monetária, boxe sobre transmissão ao mercado de crédito. Data: março de 2026. Confiança: alta.

3. Trade-off

Recompor mix sem mexer em volume exige recusar originação boa em linhas caras e substituí-la por originação mais barata, o que leva tempo e pode não ser possível no ritmo desejado. Enquanto a substituição não acontece, a cooperativa perde receita sem ganhar proteção.

4. Condição que invalidaria

Se o Focus for revisado para fora da faixa do modelo, isto é, para menos de 10,72% ou mais de 15,36% em abr/2027, o cenário central deixa de ser central e a recomendação de não mexer perde a base. A mediana do Focus é revisada semanalmente e o painel usa a divulgação de 2026-10-09.

Cenário C: parada ou reversão

Selic em 15,36% ao ano em abr/2027, +1,61 p.p. ante hoje. Limite superior da faixa de 80% do modelo em abr/2027, pela mesma medida de erro histórico.

Apertar o emergencial, preservar o consignado e o com garantia

Se a Selic parar de cair ou subir, cortar limite de cheque especial e rotativo antes de cortar concessão nova com garantia.

1. Dado quantitativo

Neste cenário a Selic vai a 15,36% ao ano em abr/2027, +1,61 p.p. em relação a hoje. O comprometimento de renda responde à Selic de forma quase contemporânea (pico em defasagem zero, r = 0,872), então o aperto aparece no orçamento das famílias quase imediatamente, enquanto a inadimplência só reage na faixa de 4, 5, 6, 7 e 8 meses.

Partindo de 28,72% hoje, o limite superior da faixa projetada de comprometimento é 31,36% em jan/2027.

2. Evidência externa

A9 Cheque especial, rotativo e cartão parcelado tendem a subir quando a Selic sobe, porque são usados em situações de estresse financeiro. O canal de juros é contrariado pela necessidade de liquidez das famílias.Fonte: Banco Central do Brasil, Relatório de Política Monetária, boxe sobre transmissão ao mercado de crédito. Data: março de 2026. Confiança: alta.

A6 Para uma elevação de 1 p.p. da Selic, o repasse estimado às taxas de crédito a pessoas físicas é de 4,43 p.p. no cheque especial, 1,73 p.p. no crédito pessoal e 0,75 p.p. em veículos. No crédito direcionado cai para 0,43 p.p. no imobiliário.Fonte: Banco Central do Brasil, Estudo Especial nº 118/2022, repasse da taxa Selic para o mercado de crédito bancário. Data: setembro de 2022. Confiança: alta.

A5 Acompanhando trabalhadores formais demitidos, os valores em atraso acima de 90 dias atingem pico entre 10 e 11 meses após a demissão. Mede choque de emprego, não de juros.Fonte: Banco Central do Brasil, Relatório de Economia Bancária 2023, Boxe 1. Data: 2024, com dados de 2023. Confiança: alta.

3. Trade-off

Cortar crédito emergencial de quem está sob estresse empurra o associado para fora da cooperativa ou para o atraso, e o efeito aparece na própria carteira com defasagem. É proteção de balanço que pode custar relacionamento e, no limite, aumentar a perda que se queria evitar.

4. Condição que invalidaria

Se a alta da Selic vier com emprego e renda em expansão, a capacidade de pagamento sobe junto e o aperto vira perda de mercado sem ganho de qualidade. Essa é a condição mais provável de invalidar a recomendação, e também a que este painel não tem dado para verificar.

O que acompanhar todo mês

IndicadorOnde estáGatilho que muda a decisãoO que fazer
Comprometimento de renda (29034)28,72% em jul/2026Passar de 31,36%, limite superior da faixa projetada para jan/2027.Apertar, mesmo que a Selic esteja caindo.
Inadimplência PF (21084)6,03% em ago/2026Passar de 7,21%, limite superior da faixa projetada para fev/2027.Confirmar o aperto que o comprometimento já sinalizou antes.
Endividamento (29037)49,86% em jul/2026, inclinação -0,012 p.p. por mêsA inclinação de 6 meses voltar a ficar positiva.Rever a leitura de que o estoque de dívida parou de crescer.
Focus, Selic no fim de 202613,25% na divulgação de 2026-10-09Sair da faixa de 10,72% a 15,36%.Trocar de cenário.

Os gatilhos são os limites superiores das faixas calculadas na seção preditiva, e não metas definidas por julgamento. Fonte dos níveis: Banco Central do Brasil, SGS e API Olinda. As faixas são cálculo deste painel.

Limitações do painel

Do que os dados não cobrem

  • Nenhuma série de emprego ou renda foi coletada. É a variável que a pesquisa aponta como determinante do atraso acima de 90 dias, com pico entre 10 e 11 meses após a demissão, e o painel simplesmente não a enxerga.
  • Todas as séries são do sistema agregado. A pesquisa não encontrou nada específico sobre cooperativas de crédito. A carteira de quem vai decidir pode se comportar de forma diferente do Sistema Financeiro Nacional.
  • Não há abertura por modalidade. A recomendação de mudar o mix se apoia em estimativas de repasse por modalidade que vêm da pesquisa, não dos JSON. O painel não mede o mix da carteira de ninguém.
  • As séries terminam em meses diferentes, de jul/2026 a out/2026. O período comum às cinco séries tem 115 meses.

Do que o método não permite

  • Nada aqui é identificação causal. Toda a seção diagnóstica é correlação com defasagem, e inflação, emprego, renegociação e mudança de regra atuam ao mesmo tempo sem nenhum controle.
  • A defasagem não é identificável. As defasagens de 4, 5, 6, 7 e 8 meses são indistinguíveis entre si nos dados.
  • A projeção é extrapolação de reta e foi reprovada no próprio teste: perde para supor estabilidade em 6 meses nas quatro séries.
  • O limiar de significância supõe observações independentes, e séries mensais de macroeconomia são persistentes, o que infla a significância aparente. O n informado é número de pares, não de informação independente.
  • O painel não atribui probabilidade aos cenários. A faixa cobre 80% dos erros históricos do método, e nada além disso está sendo afirmado.

Da evidência externa

  • A pesquisa usou 6 fontes para gerar afirmações, e duas delas (Desenrola e razão de serviço da dívida do BIS) estão com confiança média, porque o trecho não foi conferido no documento original.
  • A estimativa de que cerca de 70% da alta da inadimplência é contábil vale para o sistema agregado até junho de 2025, não para a série de pessoas físicas até ago/2026.
  • O próprio arquivo de pesquisa registra que o processo foi interrompido antes da síntese, com cobertura menor do que o método pretendia.
  • A pesquisa nunca alterou um número deste painel. Onde ela sugeriria uma correção que os dados não têm, o painel manteve o dado e escreveu o aviso.

Da validade no tempo

  • O painel foi gerado em 15/10/2026. A mediana do Focus é revisada semanalmente e a que está aqui é de 2026-10-09.
  • O último mês da Selic (out/2026) estava em curso na geração, com valor de 15/10/2026.
  • As recomendações têm horizonte de seis meses, que é o da pergunta de decisão. Fora dele, nada do que está aqui foi testado.

Painel gerado por analise.py. Números das séries do SGS e da API Olinda. Contexto externo com fonte e URL em cada citação.